Margaridinhas

21 de dezembro de 2010

Sentada no meio-fio observo umas margaridinhas no canteiro da vizinha. E acompanho minunciosamente o movimento que o vento faz com as pétalas tão delicadas. É uma dança envolvente que as enlaça e puxa para si, é um convite daqueles em que explicamos o plano somente quando já estamos a caminho.

Hoje foi um dia de tanto sentir que até então não pensei a respeito de tudo! Parece que as margaridinhas hipnotizaram-me. Ou seria a lembrança do teu olhar?! Talvez seja um prenúncio do fim da minha lucidez: não posso ser hipnotizada por algo que jamais vi de verdade! Ou posso?! Não sei, isso é pensamento demais, prefiro a dança das margaridinhas e fugir dos compromissos intelectuais… Pra quê complicação quando tenho à minha frente um canteiro, quando tenho uma rua deserta às 5 horas da manhã toda pra mim?!

Se bem que nem importa o horário, apenas para quê complicação?! Sabe, eu já fui tão mais difícil… Hoje em dia uma xícara de café que não queime minha língua e a visão de meia dúzia de margaridinhas já é quase suficiente pra mim. E saiba que as pétalas estão um pouco secas, as folhas estão um tanto roídas por algum tipo de inseto, faltou adubo e água, mas essas são as margaridinhas que estou olhando, são as mais importantes pra mim neste momento. Tu podes ter lírios, tulipas ou rosas, não me importo. Neste momento só margaridinhas.

Ontem não, ontem foi um dia em que quis um jardim chinês todo pra mim! Antes de ontem eu queria um mundo de polén… Mas percebi que um mundo todo florido é perigoso demais, sempre tem ervas daninhas pra atrapalhar tudo. Hoje amanheci diferente e disposta a eu mesma plantar minhas semente e regá-las. Acordei assim e em um pulo estava aqui, sentada no meio-fio. Hoje quero ser o raio de sol que irá iluminá-las, quero ser essencial pra algo e serei.

Talvez elas não estejam no teu criado-mudo amanhã, quem sabe eu não as mereço mais que tu?! Tu olharias, esboçaria um sorriso e as jogaria de lado… E entendo, tem gente que não nasceu para apreciar a beleza de margaridinhas que não são as mais bonitas, mas também não são as mais feias. Tu irias querer arrancar uma pétala sim, uma pétala não… A procura de uma resposta que não é uma flor que te dará.

Ficarão comigo, eu aceitarei o convite delas pra dança, também serei enlaçada pelo vento… Segurarei as mãos delas sem perguntar pra onde estamos indo e um dia também acordarei margaridinha.

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