Platônico não, por favor.

15 de dezembro de 2010

Sim, estou apaixonado. Sim, é por você. Não, eu não sei explicar. Não, eu não sei mais o que dizer. Na verdade, eu poderia descrever em longas frases todas as suas virtudes e detalharia o porquê de eu amar cada defeito seu. Desde os menorzinhos até a bola de neve descendo a montanha. Mas, infelizmente, eu não sei quase nada sobre você. Apenas seu nome e o tanto de amigos em comuns que nós temos em diversas redes sociais.

Sim, eu sou nerd. Sim, você talvez também seja. Não, eu não sei onde quero chegar. Não, esse texto não é uma declaração de amor. Na verdade, eu só queria dizer algumas palavras que possam fazer sentido pra você quando você for ler, se é que você se dá ao trabalho de ler alguma coisa. Talvez eu apenas menospreze as palavras, mas eu não sou tão leviano assim, afinal as palavras punem a imprudência.

E o silêncio inesperado dessa madrugada me faz pensar em tanta coisa que não está escrita em nenhum livro sobre você. Queria descobrir qual o seu cheiro. Aposto que é um daqueles perfumes que aparecem nas propagandas de supermodelos. Imaginar, é a arma mais poderosa de um escritor. Ou um pseudo que nem eu. Então, voltemos ao exercício. Aposto como suas mãos são macias e talvez até suem um pouco quando segurarem as minhas. Não é nervosismo ou medo. É apenas aquela sensação de compartilhar alguma coisa.

Se eu procurar direito posso ver no brilhos dos seus olhos uma doçura escondida por um sorriso que toma conta do ambiente antes mesmo de você abrir a boca pra dar Boa noite. E o jeito com que eles ficam pequeninos inversamente proporcional ao sorriso. Um contraste que noto logo de cara. Nas fotos, é claro. Afinal, é o que tenho de você.

Algumas palavras trocadas que nem sei se são verdadeiras. As minhas, sempre são. Ah! Eu já adoro o seu jeito de andar, nos meus sonhos criei uma passarela só pra você. Ir de lá pra cá, de cá pra lá. Cacofonias a parte. Você é poesia. Daquelas que são recitadas em auditórios lotados pra uma platéia de entendidos. Mas de onde vem os melhores aplausos são daqueles apaixonados. Pela vida. Por você, como eu.

Parece estranho, coisa de doido. De criança boba. De adolescente que rabisca o caderno com frases de efeito que não tem efeito nenhum. Comparo você ao dia que ganhei minha guitarra. Meu coração bateu mais forte, minhas pernas semibambearam, fiquei um pouco tonto com tantas emoções de uma vez. Eu não sabia o que dizer, o que fazer. Logo, eu só pensava nela. Minha vida se resumia a horas e horas dedilhando suavemente as cordas. Tratando com carinho e muito amor. Que comparação idiota. Não funcionou do jeito que eu queria. Mas a preguiça de apagar é maior.

Sim, acabou sendo uma declaração de amor. Sim, amor é uma palavra forte. Não, não achei uma substituta. Não, talvez se eu mudasse pra seu nome. Na verdade, seu nome diz muita coisa, muitas histórias e eu nem sei como não apareci nesse livro. Mas me contento em ser um anexo, colocado por acaso, esquecido por vontade. Mas sem o qual todo o livro não faria sentido.

E a hora de dizer tchau é sempre dificil. Já ouvi numa música que é sempre mais difícil dizer adeus quando não há nada mais pra se dizer. Eu não acho. Dificil é dizer adeus quando se quer ficar, falar a noite inteira até o sol raiar. Inventar assuntos diversos e que normalmente não fariam sentido algum só pra continuar a conversa. Uma sensação de tão-perto-tão-longe torturante.E enchendo linguiça só pra imaginar o seu sorriso do outro lado.

Mas agora eu tenho que ir, já é tarde. Moro em Jaçanã e se eu perder esse trem que parte agora as 11 horas, só amanhã de manhã. (Sim, uma piadinha sempre é bem-vinda nessas horas). E seguindo as dicas dos Trapalhões me visto de palhaço e me despeço. E apos a piada vem o pedido: Um beijinho de boa noite? E por fim uma carinha feliz. Boa noite!

 

 

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5 Respostas to “Platônico não, por favor.”

  1. "Leitora silenciosa" Says:

    Já digitei e apaguei mil coisas milhares de vezes aqui. A única coisa que não consegui apagar foi um sorriso bobo que teima em ficar no meu rosto. Adoro tudo que escreves.

  2. antitetica Says:

    É, patrão, parece que temos que atualizar a sessão “Melhores textos” e incluir este aqui, não é?!

  3. Dricolina Says:

    Nossa, antitetica, nem sabia que tinha essa sessao… vai ficar entulhada, ela…


  4. gosto daqui porque cada texto tem um pedacinho que faz eu me encaixar perfeitamente nele. os nerds, o refrão de bolero, meu alter-ego (prazer, Ana), os incontáveis amores platônicos. É, GD, eu também já implorei “Platônico não, por favor”…

  5. belzinha_ Says:

    “Comparo você ao dia que ganhei minha guitarra. Meu coração bateu mais forte, minhas pernas semibambearam, fiquei um pouco tonto com tantas emoções de uma vez. Eu não sabia o que dizer, o que fazer. […] Dificil é dizer adeus quando se quer ficar, falar a noite inteira até o sol raiar. Inventar assuntos diversos e que normalmente não fariam sentido algum só pra continuar a conversa. Uma sensação de tão-perto-tão-longe torturante.”

    =’)


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