Estrelas, Carol e o disco-voador

11 de dezembro de 2010

Pega minha mão, eu vou te levar no melhor lugar do mundo. Não tenha medo, não te farei mal. Lá a gente vai poder ficar protegido, não teremos mais que ouvir as brigas dos nossos pais. Não teremos que desistir dos desenhos animados, não precisamos fazer a lição de casa, não precisaremos comer verduras, legumes ou ovo.

Não tenha medo, Carol. A gente só vai subir na laje do prédio. São só 6 andares, o síndico deixa o alçapão aberto, a gente pode ficar lá olhando o céu, conversando besteira, ouvindo o barulhos dos carros que passam ao longe. Dá até pra ver o mar. Sério! É o melhor lugar do mundo, lá não preciso ouvir ninguém, posso ficar em silêncio até que minha cabeça comece a doer. Vem, vamos lá. Eu prometo que não vai te arrepender.

Aqui, Carol, não tem problemas de matemática, nem análises de texto, nem Estudos Sociais, Ciências, enfim, não tem ninguém. Somos donos de nosso próprio mundo. Não tem discussões, acusações infundadas, psicologas e problemas mentais. Aqui eu sou igual a todo mundo, melhor. Sou melhor que todo mundo. Ninguém reclamava por eu não prestar atenção, ninguém briga comigo só porque eu não entendo a razão de tudo isso. Pra que?

Vem, Carol, me abraça. A gente se protege. Ninguém pode te fazer mal. Aqui seu pai não pode te bater. Aqui não tem bêbados. Nem fumaça de cigarro fazendo com que tudo cheire mal. Só eu e agora você. Olha, uma estrela cadente. Faça um pedido. Sim, qualquer coisa. Sabe que a gente pode ficar aqui deitado olhando o céu pelo resto da vida. Eu só queria isso. Você e o resto do universo. Tá vendo aquela mais forte? É um planeta. Não sei qual, poderia até mentir pra te impressionar, mas você provavelmente perguntaria pra professora amanhã na aula e eu ficaria como mentiroso.

Eu não quero mais ter 11 anos. Eu queria ser adulto, poder ser livre. Fazer as coisas que eu quero. Ter dinheiro, Carol. Comprar quantas revistinhas eu quiser, quantas figurinhas eu quiser, quantos jogos do Mega-Drive eu quiser. Tudo. O que você quer? Não sabe? Eu também queria ficar com você pra sempre. Ser seu namorado. Andar de mãos dadas pelo mundo a fora. Filhos. Uma casa avarandada. Quem sabe uma casa na praia. O que você acha? Eu também te amo.

Sabe, Carol, amanhã tem a final do campeonato da escola. Vou fazer um gol pra você. Vai estar no mesmo lugar? Tô nervoso, sabe? Tem muita gente confiando em mim, mas eu não. Estou triste. Quer dizer, agora você tá aqui tô mais feliz. Mas tem horas que eu queria fugir. Você iria comigo? Pra qualquer lugar. Que tal Kingston? Sim, eu assisti aquele filme hoje a tarde. Jamaica Abaixo de Zero. Você não gostou? Poxa, muito massa.

Já quer descer? Mas ainda nem viste o disco-voador. Sim, toda noite passa um disco-voador por aqui. Ele é verde, laranja, vermelho, roxo, azul e amarelo. Fica trocando de cor e de lugar. Pisca-pisca. É como um vagalumão. Não, eu não tenho medo. Adoro. Acho que dá pra eles me olharem de lá. Acho que gostam de mim. Você iria comigo se eles me levassem? Não? Poxa.Então vou pedir a eles que me deixem aqui. Com você.

Acho que hoje não vão aparecer. Acho que você meio que assusta eles. Sim, vamos. Eu vou te levar pra casa. Eu sei que é no outro bloco, mas nunca se sabe. Sim, te abraço. Sim, tá frio. Vamos…

 

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2 Respostas to “Estrelas, Carol e o disco-voador”

  1. black ay pirs Says:

    aff -.- pemsei que era uma carta de do cêu bem legal milk mas rsrsrs.


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