Não pare no sinal vermelho

8 de dezembro de 2010

 

Oito horas da manhã em algum ponto obscuro do caminho de casa pro trabalho nosso herói e sua nova namorada estão em um engarrafamento quilometrico e aparentemente não podem ir pra nenhum lugar. Pelo menos ele tem o ar condicionado pra esfriar aquela manhã calorenta e a rádio de rock matinal parece ter sido escolhida para o seu humor que ainda parecia bom.

– Amor, desliga o ar. Tá frio!

Começo de namoro, sabe como é. Tem que atender todos os pedidos até os mais absurdos, e então ele desligou o ar do carro sem resmungar nada. Continuava cantarolando aquela música dos Rolling Stones que queria pintar tudo de preto. O mundo estava parado, a chuva torrencial abafada os impedia de abrir os vidros e então tornava aquele carro uma panela de pressão e ele suava.

– Ei, amor, gravei um CD novo pra eu ouvir no trabalho. Botaí pra gente ouvir nesse engarrafamento dos infernos.

– Tá bom, amorzinho.

Ele já a conhecia bastante pra saber que não iria gostar daquele CD. E tinha quase certeza de que chegaria no trabalho além de atrasado e suado, muito irritado. Mas pelo menos seu amor estaria feliz. E então rolava um mix de Lady Gaga, Kate Perry, Justin Bieber e Ke$ha. Além de coisas mais bizarrras. E ela dançava no carro, ele religou o ar no mínimo sem que ela percebesse.

– O que essa vagabunda tá olhando pra ti, hein? De onde tu a conhece? E porque esse sorrisinho todo?

A loira do carro ao lado embaçada pelo vidro aparentemente sorria dela dançando em plena manhã chuvosa no meio de um engarrafamento, e ela pensava que era porque tinha gostado daquele gordinho suado de cabelo bagunçado.

– Que loira? Nem tinha visto loira alguma se tu não fala. Eu não a conheço não. E estou sorrindo é dessa sua dancinha. Acordaste animada, não foi?

– Me ama?

– Sim.

Nisso a chuva dá uma parada, o trânsito começa a fluir e então alguns quilometros depois já chegando ao serviço dela param no sinal vermelho, ao seu lado para um carro e o vidro fumê abaixa e uma loira fala:

– Carlos, é você mesmo? Faz meia hora que estou tentando falar com você. Por que você sumiu? Nunca mais me ligou.

Então ele arranca com o sinal ainda fechado na esperança dela não ter ouvido nada. Mas foi mais ou menos assim que terminou a história de amor entre Carlos e Sandra. E ironicamente nesse momento tocava Poker Face.

 

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Uma resposta to “Não pare no sinal vermelho”

  1. antitetica Says:

    Eita, GD, tu gostas de arrumar confusão pros teus personagens!


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