Last Kiss

30 de novembro de 2010

Por incrivel que pareça a paixão que mais dói ou doeu no meu peito foi a que menos tempo durou, foi a que me fez começar a escrever poemas de amor e cartas que nunca enviarei a ninguém. Foram apenas 3 encontros e a vida inteira pra me arrepender. Pra tentar consertar os erros de uma juventude sem foco.

Essa paixão também é a única que não foi citada em nenhuma linha nesse depósito de coisas e desabafos que se intitula Azeitonas Suicidas. Sei que muitos textos aqui são ficticios e de estórias de amigos que ouço em conversas de bar, mas todas no fundo tem uma pitada das minhas próprias experiências amorosas frustradas ou não.

E desses relacionamentos ainda tem um que me bloqueia que não consegue sair da primeira linha, que não consegue fugir de dentro do meu peito e se arrastar pelo branco do papel. Normalmente, ela engata na minha garganta e começo a tossir. De vez em quando gera uma alergia que faz com que minha sinusite seja brincadeira e séries de 10 espirros passam a ser normais no meu dia-a-dia.

Como eu disse, nossa história se resumiu a 3 encontros e algumas horas e horas e horas de conversas ao telefone. Sabe aquela emoção adolescente de olhar pela janela e dizer: “Ei, já está amanhecendo. Acho melhor a gente desligar…ou não” e então se segue mais alguns minutos de conversa até que a mãe dela, ou a minha batia na porta pra tomar o café da manhã.

Sou aficcionado por amores adolescentes, na verdade eu sonhava quando guri que conheceria minha namorada no colégio e ficariamos juntos a vida inteira. Como eu era idiota. Depois de anos a realidade bateu na minha porta e então lá estava eu, olhando o céu desabar em granizo e eu não tinha pra onde correr, não tinha abrigo.

Depois dela tudo ficou mais simples. Aprendi o que é não ter controle sobre paixões e conheci o que é amor de verão. Com direito a praia todos os dias e beijos calorosos mar adentro. Mas isso é passado e do passado não quero lembrar. (Que frase estupida, afinal todas as estórias aqui são meio do passado).

Ah! Tudo acabou porque ela foi morar em outro país. Ah! E antes disso eu fiquei com uma outra doidinha no carnaval. Ah! E entre um e outro ela voltou pro antigo namorado dela. Ah! E mesmo namorando a gente continuou se vendo. Ah! Acho que foram mais de 3 encontros. Ah! Mas isso não importa mais. Ah! Tenho uma música gravada que fiz pra ela, mas digo que foi pra outra pessoa.

Ah! Foi a única vez que dei um beijo sabendo que aquele seria o último beijo. Como as coisas programadas são mais legais, agora estou acreditando nesse negócio de planejamento estratégico, tático e operacional. Planos. Projetos. Amores secretos.

Ela costumava dizer que o refrão de Last Kiss havia sido feito pra nós dois. Ela cantava toda hora de desligar. Até escreveu uma carta pra mim. Que legal! E hoje eu afirmo que a última parte de Memories do Street Bulldogs é que faz mais sentido:

Your last kiss was painfull like a punch. All I have to do is to find a new way. I will burn  your letters you sent me one day with words that mean nothing anymore.

E lá se foi ela, suas cartas e seu último beijo.

 

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