Elefantes na sala

27 de novembro de 2010

Enquanto você insistia nas maravilhas de Amelie Poulan, eu de saco cheio dessas coisas francesas fingia interesse, mas tentava compor uma paródia de algum hino de algum time que nem me lembro bem. Se vangloriava que tinha morado em Paris, tomado café olhando o Rio Sena, brincado na Champs Elyssés, tirado foto embaixo do Arco do Triunfo e visto a Torre Eiffel.

Como era linda a França, o louvre, só faltou dizer que Zidane era mito, mas aí seria esperar demais de você. Você era uma caricatura de qualquer personagem de Paris, Eu Te Amo. Eu já podia até ver o Jan Reno no filme da sua aventura francesa. Ele provavelmente seria um policial que investigava algum assassinato.

Eu ficava no tédio provinciano de quem não conhecia o mundo e me divertia com filmes de ação americanos onde tinha mais explosões que dialogos. Não gosto muito de pensar na vida, pra mim cinema é diversão. É esquecer de tudo e me perder na estória. Coisa que Amelie Poulan não conseguiu fazer e você acha um absurdo.

– Eu não posso namorar um cara que não goste de Amelie Poulan.

– E eu não posso namorar uma garota que não tenha gostado de Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças.

E então estabelecemos um impasse. Ser ou não ser? Namorar ou não namorar? O filme era só a ponta do iceberg de um relacionamento já tedioso.Tantos elefantes no meio da sala já não podiam deixar de ser notados. Estavam sufocando o nosso “amor”, você entende, né?

Estou voltando pra casa, amor. De Vez.

 

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