O caderno azul

14 de novembro de 2010

 

Ela escrevia poemas num caderno azul que escondia na primeira gaveta do seu guarda-roupas, aquela que tinha uma chave especial e um chaveiro em formato de coração. Ali estavam seus maiores tesouros, tudo que pensava sobre a vida, se alguém o achasse poderia usar como um manual de instruções. Nunca mostrara pra ninguém, nem pra sua melhor amiga, nem pra seu amor maior. Ninguém.

Perdia horas e horas escrevendo e apagando loucuras que surgiam como petroleo em sua mente. Cartas que nunca teria intenção de enviar, frases de filmes que poderiam virar alguma coisa no futuro. Músicas a serem ouvidas, bandas que ouviu em algum lugar. Lista de perfumes, sonhos e maquiagens.

Ele escancarava todos seus sentimentos em monologos apaixonados ajoelhado perante sua amada, escrevia roteiros autobigraficos para pessas estudantis, jorrava seus pensamentos por todas as vias possíveis e imaginadas. No fundo ela invejava esse jeito de ser expansivo que ele tinha. Mas ao mesmo tempo sua timidez não deixava que ela se relacionasse com ele. Por mais que ele escrevesse as mais belas canções e os melhores textos do mundo. Videos apaixonados de poemas e declarações de amor. Ele já não sabia onde usar sua criatividade pra conquistá-la. Ela já não sabia como dizer que era apaixonada por ele.

20 e poucos anos e nunca tinha beijado ninguém. Quase como aquele filme com a Drew Barrymore. Suas amigas já a consideravam um caso perdido, os homens já tinham desistido dela desde o colégio. Mas ele não. Nunca desistia. A luta da conquista pra ele era um desafio de vida ou morte.

Montou vários planos perfeitos que fracassaram. Ela não sabia o que dizer, o que fazer, como se mexer como pensar. Estava confusa. Só confiava no seu caderno azul e no poder do salto alto.

E ele então se cansou. Casou com uma atriz de teatro e teve 3 filhos com cabelos de cuia e olhos verdes. E com ela não se sabe ao certo o que aconteceu, mas parece que virou escritora de romances passados no século XVII.Seu maior sucesso fala de uma garota e seu caderno azul.

 

 

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Uma resposta to “O caderno azul”

  1. Jéssica Says:

    Prefiro as apostilas pretas, hunf!


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