Noites de Quarta

4 de novembro de 2010

Pra ela era sexta-feira, sempre era sexta-feira pra ela. A vida com ela parecia um parque de diversões. Pra mim era quarta-feira, e quartas-feira são sagradas e quando seu time joga a final de um campeonato é mais que sagrada, é mais que qualquer coisa, é um feriado nacional, ou melhor, mundial. É aquela hora em que você esquece de tudo.

A gente tinha programado a viagem pra quinta pela manhã desde faz tempo. Ela sabia disso. E sabia da remota possibilidade de meu time chegar a final, mas ela pensou que em todos esses anos esse time nunca tinha ganho nada, então resolveu antecipar a viagem pro final de tarde de quarta. Foi aí que a guerra começou…

Eu tive que explicar toda a importância daquele jogo. Desenhar no quadro da sala toda a estrutura do futebol brasileiro, por que o campeão da Copa do Brasil ganhava vaga na Libertadores que poderia dar vaga ao Mundial. E quem sabe a gente não iria passar o fim do ano que vem em Abu-Dabi, o que achas?

Ela só repetia que eu preferia o futebol a ela, que eu preferia aqueles caras com as camisas brancas correndo feito doidos atrás de uma bola e que nunca ganhavam nada. E o que tu ganhas com isso? Eles nem sabem que tu existe, enquanto eu estou aqui do teu lado todos os dias…

Realmente, ela não entende! Sugeri irmos meia noite depois do jogo, mas ela disse que era tarde. Sugeri mantermos o plano e ir pela manhã, mas aí ela disse que perderíamos alguma coisa que não escutei porque passou a chamada do jogo na TV. Não considerei nem por um segundo perder aquilo, perderia a namorada, os filhos, qualquer coisa, menos aquele jogo.

Já “fantasiado” com a camisa da sorte autografada pelo Viola, o boné da sorte com a assinatura do Diego, a cueca da sorte sem assinatura, o calção da sorte que ganhei do Robinho, lá estava eu no lugar preferido do sofá com uma garrafa de Stella apoiada no braço. Senta aqui, minha morena, e assiste o jogo comigo. Prometo te recompensar. E faz pipoca.

Ela sentou contrariada, mas acho que a pipoca a fez acalmar, torceu como se soubesse o que estava fazendo, fez colocações interessantes, perguntas desnecessárias e comeu bastante pipoca, tive que dividir minhas Stellas com ela, e como era uma ocasião especial eu tinha comprado o bastante. Demos uma rapidinha da sorte no intervalo.

Retrucou que o capitão do time parecia com o Dourado do BBB. Se desperou quando o time adversário empatou. Chorou quando viraram o placar, mas aí eu expliquei que eles teriam que fazer outros dois gols pra tirar nosso título e então ela me beijou como se eu tivesse dado uma notícia muito boa. Quando acabou o jogo ela gritou até ficar sem voz, botou o hino do clube no máximo e queria ver todas as reportagens. Ficou bem mais entusiasmada que eu. Fizemos mais sexo até adormecer…

Acabamos viajando só lá pelas 11 da manhã com uma ressaca bem feliz, a mais feliz de toda minha vida. E nem vou falar da viagem do feriado…deixo pra próxima.

 

 

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Uma resposta to “Noites de Quarta”

  1. Jéssica Says:

    Textos teus nesse molde são os melhores. E estou me sentindo uma espécia de “mecenas” encomendando coisas, HAHA.


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