Ainda há uma esperança…

4 de novembro de 2010

– Não é você, sou eu. Eu preciso de tempo, espaço e direção. Pensar melhor em quem eu sou e no que eu quero pra minha vida e você não está me ajudando, ok?

Essas foram as últimas palavras, olhando nos meus olhos que não estavam nem preparados pra chorar. Lágrimas eram produtos em falta nessa hora. Eu apenas olhei bem pra saber qual era a verdade em seu olhar e vi que era realmente o fim. Levantei lentamente como que esperando que ela mudasse de idéia, passo a passo, câmera lenta. Dei um último suspiro e segui o meu caminho, lento, desgovernado com a cabeça rodando. Era assim que se sentiam os boxeadores antes de beijar a lona.

Nunca entendi essa minha obsessão por Eleanor Rigby e todas as pessoas solitárias. Acredito que seja o jeito que ela apanha do chão o arroz do casamento de alguém que nem chegou a conhecer. Toda a espera em vão por alguém que não virá, que ela nem sabe como se parece. E morreu nas mesma igreja, solitária e com os mesmos sonhos gravados na sua lápide. Ela e todas as pessoas solitárias.

Na minha via-crucis, desossei todos os problemas exorcizando o medo de ser jogado no lixo gritando a pleno pulmões alguma canção do Black Sabbath, acho que Paranoid. Afinal, a paranóia era minha companheira de longa data. Não tinha pra onde ir, nem onde ficar. Não queria saber de ninguém, nada, apedrejava os passarinhos que tentavam me consolar com suas canções de amor.

Eu não tive força pra lutar, nem vontade. Sabia que meu coração tinha ficado na sala de jantar da casa dela, talvez uma hora dessas ela esteja degustando-o com uma cara de Hannibal Lecter lambuzada de sangue. Eu não queria mais estar com ela, eu não queria mais dançar a mesma música todas as noites. Mas a realidade sempre bate a porta na nossa cara e cara, dói.

E agora todos pareciam rir de mim, todos pareciam saber que eu era um fraco, medroso, que ela só queria me provocar pedindo uma reação indignada que traria uma re-união de sentimentos e terminaria na cama em pleno horário de almoço. Mas eu não queria ser eu naquele dia. Deixei o vento me levar…e icei as velas pra longe dela.

Entendeu agora mais ou menos por que não posso te dar nada mais que isso? Se você quiser pode ir na casa dela tentar buscar o que resta do meu coração, talvez tenha sobrado alguma coisa…

– Quer casar comigo?

– Mesmo sem coração? Não escutaste nada do que acabei de falar?

– Não importa, garoto, se você não possa me amar completamente. Sua sinceridade não tem preço e eu te amo com cada pedaço do meu corpo. E quero ficar com você enquanto for bom…

(Nessa hora alguma coisa começou a pulsar na cavidade toraxica dele, parecia um milagre, um novo coração)

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