Abraçando cactos

28 de outubro de 2010

Em tempos de meteoros da paixão, eu prefiro coisas mais suaves como flechas incendiárias pulverizando a tranquilidade de estar só lendo um gibi da Turma da Mônica na saula de aula durante o recreio. O cheiro doce do perfume daquela menina passeava sorridente pelas minhas celulas olfativas e insistia em se instalar por lá, sem vontade aparente de se mover.

Entre os chacoalhões que levei da vida real esse foi o mais dolorido. Tentar encontrar um antidoto pra hipnose do balançar dos seus quadris foi a verdadeira missão impossível, nos corredores da minha mente a arte de rebolar sem ser vulgar tinha uma campeã mundial. Não entendo como pude ser atacado pelo seu exercito medieval, eu confiava demais nos muros de pedra que construí com direito a fosso infestado de jacarés.

E mesmo se você conseguisse com seus canhões derrubá-lo, ainda tinha o exército mais bem treinado de glóbulos brancos prontos a te expulsar do meu organismo. Com armaduras douradas reluzentes e estandartes com peixes vermelhos e azuis.Uma verdadeira guerra que poderia ter sido escrita pelo Bernard Cornwell.

A saraivada de flechas incendiárias que recebi de todos seus feronomios coreografando tal qual uma equipe de nado sincronizado no ar que respiro me fez acender uma luz de alerta, alarme, salve-se quem puder. O bote salva vidas estava furado, não poderia abandonar o navio, era me deixar afogar na paixão por você.

Nunca pensei ser possível apanhar tanto quanto o Coiote nos desenhos do Papa-Léguas e mesmo assim continuar tentando, sem expectativa de conseguir atingir o objetivo ou mesmo noção do que fazer quando atingi-lo. Assim eu a via, como um trofeu de uma maratona, o lado mudou, meu amor. Agora eu era o arqueiro e você o alvo. Mas pontaria nunca foi meu forte, portanto, tire a maça do alto de sua cabeça.

Talvez fosse melhor você ter deixado minha borracha perdida no chão daquela sala de aula milênios atrás, talvez eu não tivesse trocado os R’s pelos L’s, nem minhas revistinhas por você. E se você realmente preparou seu veneno com o polén da mais rara flor, terei que inventar outra fórmula pra curar as feridas que consomem minha carne como vermes antropofagicos em regime de engorda.

Desde aquele dia tenho lutado batalhas diárias contra inimigos imaginários em um constante jogo de xadrez no qual os peões são meus sentimentos e devem ser sacrificados para o bem do todo. É um complexo de atos e consequências que me perseguem a cada passo como uma sombra espinhenta da qual não posso me livrar nem na calada da noite.

O jeito é abraçar o cacto e torcer para o alcool ser realmente um anestésico tão potente quanto dizem as propagandas do Ministério da Saúde.

 

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4 Respostas to “Abraçando cactos”

  1. Jéssica Mendes @antitetica Says:

    Uma flor de cacto?

  2. Dricolina Says:

    Perai… sera que fui eu que escrevi isso tudo…

  3. Dricolina Says:

    Oi, GD
    Estou sempre lendo seus textos, mesmo quando nao comento!


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