A importância de uma agenda.

26 de outubro de 2010

 

Enquanto cantarolava alguma coisa que sua memória dizia ser uma música de ninar, caminhava lento contando os passos e pulando as faixas brancas do calçadão. Respirar o ar puro a fazia se sentir leve, saudavel. Tomar água de coco e observar os pseudo-surfistas se equilibrando nas marolas da vida. Não entendia porque eles insistiam nesse mar sem ondas, mas devia haver alguma explicação filosofica-existencial por trás disso e hoje não é dia de pensar. Só estar. Recarregar as baterias.

Exausto, tentando mudar a vida sedentária por corridas matinais na orla, ele rezava por uma agua de coco, poucas palavras e um banho gelado. Ouvia Moptop no seu Ipod. Será bem melhor. Acelerava o passo ao cruzar com as belas mulheres desfilando seus biquinis minusculos. Não tinha um perfil atlético, não tinha vontade de continuar com esse papel que não era escrito pra si. De longe avistou os cabelos de fogo da sua garotinha ruiva.

– Olá, como vai? Quanto tempo, hein?

– Seis anos.

– É. Seis anos. Estás bem mais bonita. O que tem feito?

– Nada demais, só trabalhado muito. Ah. Obrigado pelo elogio. Resolveu correr agora?

– É. A idade vai chegando e a gente não pode ficar parado.

Blá blá blá…é incrivel como a boca dela ainda envia mil convites para um beijo, pessoal e intransferivel. RSVP. Responderia qualquer coisa por ela. Em câmera lenta, o canudo deslizando entre os dentes salientes sugando com leveza, aquilo tudo era como um chamado que não poderia ser adiado. Mas ela não era mais dele, não mais.

– a gente poderia combinar alguma coisa essa noite. Que tal o combo cinema e jantar?

Ele não poderia imaginar a sua sorte. O amor da sua vida que ele fez de tudo pra estragar agora estava retornando a sua vida, destruindo todas as portas e telas de proteção que ele construiu ao longo desses anos. Sem dó nem piedade. Era um risco incalculavel. Como uma doença que depois de curada volta com consequencias fatais. Assim era ela.

– A gente se encontra lá as 19 horas, ok?

O coração palpitava e reclamava de tudo a 260 batidas por segundo, o fone do ouvido pendia abandonado saltando do bolso do calção. A despedida suada exalava um cheiro de esperança gritando por um lugar onde se agarrar. Até as ondas resolveram aparecer pra observar aquele reencontro faiscante.

A emoção foi tanta que esqueceu de pegar o telefone dela. E também esqueceu que tinha um vôo pra São Paulo marcado para as 17 horas. Era um encontro impossível. A chance da vida desperdiçada por desatenção…ela, com certeza, nunca o perdoaria. Ele, certamente, não se perdoaria.

Voltou a praia todos os dias depois e nunca mais a encontrou…

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