Vendedor de Ilusões

6 de outubro de 2010

Ela diz que eu insisto em fazer overbooking no meu coração. Sempre que chega a sua vez de embarcar não tem mais lugar pra sentar. Até me deu um epíteto “Vendedor de Ilusões”. Que eu consigo criar fantasias, histórias, epópeias emocionais e de alguma forma convenço as meninas inocentes a comprar a passagem nesso vôo que não chega a lugar nenhum.

Mas a culpa não é minha. Sabe quando você conhece aquela menina que acha é a certa, se apaixona ao primeiro olhar, ama na primeira conversa, venera no primeiro encontro, mas na hora do beijo não funciona? Assim era ela. E olha que eu tentei. Juro que tentei. Uma vez. Outra vez. Mais uma e então foram dezenas de primeiros encontros e o beijo simplesmente não encaixava. Eu não tive coragem de falar. Até hoje não faço a minima idéia se ela ao menos soube disso, se concorda comigo, se discorda. Sei lá. Era mais fácil dizer que não gostava dela.

Arregaçar as mangas e partir pra poltrona seguinte. O problema era que ela queria fretar o vôo. Só pra ela. Mas não é assim que as coisas funcionam. Sai caro. O dano será maior, às vezes irreversível. Ela não compreende. Teimosa. Se multiplica e está em todos os lugares. Eu tento fugir, me esconder debaixo de alguma outra saia. Sai daqui.

Ela não entende a minha vontade de poeta. Estar sempre em busca do inalcançavel. Mirar a flecha em direção a maça na cabeça de alguém que eu nem reconheço. Estar na corda bamba, sem as redes pra segurar. É correr riscos. Desnecessários. Andar descalço num chão cheio de cacos de vidro. É impossível sair ileso. De um filme triste. De uma canção de amor. Do silêncio na volta pra casa.

E ela me busca nos emessienes da vida. Faz juras de amor eterno. Parece comigo nos dias de luta. Finjo interesse. Afinal, o poeta é um fingidor. E eu não posso fugir disso. De ser quem eu sou. De fazer o que faço. De me esconder no menor sinal de perigo.E espero que não me julguem erradamente. Ou acertadamente. Saí dessa vida de tribunais.

Não que eu tenha medo de alguma coisa. De me apaixonar. De me envolver. De ser feliz. Talvez até seja esse meu problema. Mas eu só quero me deitar e sonhar com coisas boas. Ou ter pesadelos. Gosto deles. Se não fossem eles eu não tinha tanta coisa pra escrever. Pensar. Dizer. Prefiro os pesadelos porque neles eu sei que você não irá aparecer.

Então, deixe as luzes acesas que hoje eu não quero dormir.

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2 Respostas to “Vendedor de Ilusões”

  1. Jéssica Says:

    Meu eu-lírico tá [quase] dizendo “[2]”

  2. Dricolina Says:

    Adorei! Ri muito, aqui. nao achem isso estranho. eh engracado mesmo.
    Voce esta escrevendo muito bem! torco pra que um livro seu seja publicado em breve.


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