Sempre há uma antitese

2 de outubro de 2010

Era um praia deserta com areia bem branca e mar muito azul. Ela sentava no cais deixando os pés beijarem de leve a água. Quase imperceptivel. Pensava na beleza da vida sem preocupações. Foi quando, do nada, ele apareceu e sentou ao seu lado. Era belo, forte e diferente. Cativou-a com o olhar. E a chamou pra conhecer as profundezas do oceano. Ela não resistiu.

Em sua conversa sub-aquatica ele revelou ser um principe dos oceanos, mas fora expulso do seu Reino por seu tio. Mostrou a ela todas as belezas escondidas do fundo do mar. Passaram o dia naquele romance úmido. Ele dera um beijo nela que a fazia respirar debaixo d’água. Esperto o garoto, não? O dia mais feliz da vida dela. De repente a paixão voltava a sua vida. Quando de repente um exército sub-aquatico aparece e começa a perseguir os recem-apaixonados com a intenção de matá-los.

Foi quando acordou com seu próprio grito de horror. Toda suada. Mas sã e salva em sua cama. Lençóis enxarcados. Dor de cabeça. Estava convencida de que aquilo fora real. Passou a perseguir o mar. Mas incrivelmente parou de sonhar ou simplesmente não mais lembrava de seus sonhos. Ela sempre acordava e conseguia relembrar detalhadamente cada vez…agora não mais. Queria voltar a sonhar. Queria reencontrá-lo.

Aquela estranha obsessão virou medo. De sonhar. Dele ter morrido. De observar o mar. Certo dia acordou com o colar de conchas que ele usava em cima de sua cabeceira. Passou a pensar que ele tinha poderes de apagar seus sonhos para que ela não lembrasse dele, mas ele existia.

Começou a ter alucinações, a vê-lo em todas esquinas, rostos e o que mais desse pra parecer. Era uma agonia infinita. Queria dar um fim em tudo. Em sua vida. Seus sonhos. Seus problemas. Era só uma menina e não queria crescer ou continuar daquele jeito. O amor faz dessas coisas…

Resolveu se atirar da ponte do São Francisco. Morreria com o impacto. Ou então na queda. Ou afogada. Ou sei lá, devorada por tubarões.

Ao chegar na água, ele era todo sorrisos. Muito bem, Alice. Seremos só nós dois nessa imensidão do mar por toda eternidade. Casa comigo? Vamos conhecer meus pais! Você já viu um boto cor-de-rosa. Depois eu te apresento pra Pequena Sereia. Minha amiga de infância.

[Alice está em coma há 14 anos. E seus pais estão numa batalha contra os hospitais que querem desligar seus aparelhos. Será que quando morrer, ela deixará de ser feliz em seus sonhos? Nunca saberemos. ]

E ela nunca mais acordou. Nem queria acordar.

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Uma resposta to “Sempre há uma antitese”

  1. Antitética Says:

    Rapaz, cê tá de brincadeira comigo… :’)

    Ai, pára de escrever assim tão lindo, né?!


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