Eu e as coroas de papel.

2 de outubro de 2010

Oi, Tudo bom? Quanto tempo? Você está bonita hoje! Quer saber, não quero saber de elogios. Quem se importa como estou hoje. Como estarei daqui a 30 anos com a pele cheia de rugas e os peitos caídos. Eu só queria poder deitar com o som bem alto e colocar meus pés na parede. MArcá-la com a poeira da rua e da sua casa. Sem preconceitos. Sem problemas. Encher a mão de tinta e escrever seu nome por todas os cantos do quarto.

Vou bem e você? Pra quê que eu quero saber de ti? Pouco importa se você tem carro importado que seu pai lhe deu. Daqui a 30 anos terá gasto toda sua herança em mulheres e bebida, talvez uns jogos de azar. Terá um carro velho, uma barriga de chopp e uma reluzente careca. De ti só queria ajuda com as compras do supermercado. Uma instrução de como chegar naquela rua ou no fim do mundo.

Até mais. Prazer em vê-la. Até nunca mais, eu digo. Que a gente só se encontre no enterro de algum conhecido. Mas um conhecido bem distante pra que as lágrimas não borrem a minha maquiagem. Vou ficar aqui com minha coroa do BurgerKing como se existisse alguma majestade em tudo isso. Bater a porta na cara. Não, não pode entrar. Serei rainha do meu mundo por uma noite apenas. Só dessa vez. Afinal, é sexta-feira.

Na parede, Friday I’m Love. Quanta ironia. Tem tanto amor na minha vida como tem comida na Somália. Acho que poderia aprender a correr de leões e quem sabe ganhar a São Silvestre desse ano. Estou maldosa hoje. Desculpe, é a TPM. Encontrar ex-namorados na faixa de pedestre sempre me faz perder o apetite.

No meu mundo perfeito haveria delivery do Subway. E Free Hugs. Talvez qualquer dia desses eu distribua abraços a estranhos na Rua Grande num sábado pela manhã. Talvez eu superestime os abraços. Acho que merecem um castigo. Ajoelhados no caroço de milho. Leite condensado. Uma colherada generosa viria bem a calhar. Aposto como meus sonhos seriam angelicais, nada de ovelhas negras pulando cercas de arame farpado.

Minhas unhas estão sem esmalte. Preguiça de comprar uma cor nova. Poderia fazer um mix de cores. Ah! Tem Pringles no armário. Vou já buscar. Encontra com ex-namorado na fila do cinema sempre me deixa com fome. Sorvete de doce de leite da Windy. Será que vem do Vento ou da Wendy do Peter Pan. Sempre tive essa dúvida. Gostava do Elefantinho. Poh e o Efalante. Non-sense. Assim sou eu.

Boa noite, William Bonner.

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2 Respostas to “Eu e as coroas de papel.”

  1. Jéssica Says:

    Quando eu tuitei aquilo, eu pensei que parecia frase de texto teu.

  2. baphomet Says:

    O prazer foi todo meu!


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