Dicionário de Apelidos Carinhosos

2 de outubro de 2010

Depois de um dia cansativo de trabalho não há nada melhor do que abrir a porta de casa e vê-la sentada no sofá se deliciando com uma porção generosa de brigadeiro e com a voz doce sensualizando a colher me cumprimenta:

– Sapinho, vem aqui me dar um beijo. Tanta saudade que nem sei.

Admiro esses codinomes. Apelidos carinhosos. Ela tem um repertório interminável, sempre pensei que um dia fosse cair da sua bolsa um “Dicionário de Apelidos Carinhosos”, mas é óbvio que não aconteceu. Entre a fauna e a flora estava eu. Voando de flor em flor. Da sua boca até insetos seriam bonitinhos. E eu facilmente perderia a identidade se fosse o desejo daquela boca achocolatada.

Nunca quis usar, nem preciso de codinomes. Nessa nova vida louca eu aprendi a dizer que te amo. Com os olhos, o sorriso, com a ponta gelada do nariz. Mesmo que nunca tenha precisado. Sou exagerado. Você costumava dizer que eu era louco. Inventava amores. Tinha um coração frio e gelado. Como aquele copo de uísque que quebraste. Quase impenetrável.

Em uma dessas invenções, ela cita Cazuza e me pede pra dizer segredos de liquidificador. Justo meus segredos. Não gosto de mexer neles. Prefiro deixá-los no fundo do baú. E então, como uma represa liberada eu me solto. Sabe, naquele dia ainda em São Paulo que eu te disse ao pé do ouvido que nunca tinha te esquecido. Confessei que você sempre teve um pedaço do meu coração mesmo depois de tanto tempo. Esse era o segredo. Tão simples e solto como o seu arroz.

E o liquidificador? Apareceu quando no meu carro, na porta de um prédio qualquer, dias depois eu disse que te amava sussurrando de leve teu nome e depois um beijo quente. Leve e apaixonado ao seu ouvido. Seu corpo estremeceu, um calafrio, um liquidificador pulverizando todos os medos entre a gente. Juntando nossos sentimentos numa mistura só. Naquele redemoinho de emoções eu poderia naufragar. Mas você sempre foi minha âncora, meu cais pra aportar. Nos mares mais caudalosos eu sempre busquei te alcançar.

No meio de tudo estou perdido, tive que ir pra longe. Longe de você e seus milhares de apelidos. Teve uma época que eu anotava todos eles, pra um dia pegá-la numa repetição. Rir da sua falta de criatividade, mas isso nunca aconteceu. No exercício pra imaginá-la por perto, eu me misturei em tudo àquilo que pensei nunca ser. Até inventei um apelido carinhoso pra você. E gostei da idéia.

Como numa mágica, diversos apelidos inéditos vinham na minha cabeça. Era fácil ser inédito quando você deixava de ser usual. Quaisquer clichês seriam inéditos pra nós dois. E eu não sou famoso por minha criatividade, então na solidão da minha nova casa. Escrevo uma mensagem pro seu celular:

“Nessas horas entendo, beija-flor, o quanto você representa pra mim. Mas quem dera você ter realmente asas e invadir a porta da minha casa, me der um beijo e ficar. Eu não iria me admirar. Juro!”

Ai que saudade d’ocê!

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2 Respostas to “Dicionário de Apelidos Carinhosos”

  1. talia lobo pereirra santos Says:

    nosaaaaaaaaa.
    que ORROR
    FAUTA DE EDUCAÇÃO viuuuuuuuuuuuuuuu
    seeus
    SE EU FOSSE VC NEM FAZIA
    issssssssssso!!!!!!!!!!!!!!
    OKKKKKKkkkkkkkkkkk

    rsrsrsrsrsrsrsr……….


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