Roda-gigante (Embriagado de amor)

20 de setembro de 2010

Tudo girava. Rodando. A gente não se vê a tanto tempo, tantos cheiros na minha cabeça. Um turbilhão de perfumes, rosas e borboletas. Acredito que meu estômago está cheio. De sentimentos embrulhados. Um suco gástrico de idéias e possíveis futuras mágoas. Para com isso! Eu só queria ser um rockstar ou pelo menos um ator de novelas da Globo. Sem pensar em ninguém, cheio de assessores me dizendo o que fazer, o que falar. Com o que me preocupar ou não.

E todo dia eu me pergunto: Se tenho um coração vagabundo não era pra eu estar sofrendo, ok? Mas desde quando a vida tem alguma lógica. Desde quando faz algum sentido. Desde quando. Quando eu perdia as noites contando estrelas ao lado de uma pessoa qualquer eu era Rei. Podia fazer “Por que não te calas” pra qualquer um. Era o dono do mundo.

Todo começo é igual e aparentemente todo fim também. Ela vem dizendo que está apaixonada e eu digo: Por que não? Então começa o romance. O meu prazo de validade já era, só que já me impregnei nela feito tempero. E todo mundo sabe como é dificil destemperar qualquer coisa. Lavo as mãos, o corpo todo. Mas seu cheiro está em todo lugar. Minha mente não sabe mais deletar você. Até misturo ela com você nos meus sonhos. Todas iguais. Além do mais nada disso faz sentido. Desde quando.

E o Rei vira Bobo da Corte nos finais felizes. O diretor achou o meu papel. De idiota. Que faz os outros serem felizes por quase um segundo. E tristes por toda eternidade. Como uma música do Costello. Eu te quero. Mas tanto querer está ligado a tanta dor, tantos problemas, tantas coisas que deixam o meu redor girando. Rodando. Feito o pião da casa própria.

Embriagado de amor. Que brega. As feridas do meu peito estão cicratizadas, a dor já passou. Mas por que, por quê as coisas ainda não voltaram ao normal. Quero minha vida de volta, antes dela aparecer. E quando eu descer dessa roda gigante tomara que eu não vomite. E se vomitar que seja todo mal que me causou. Acho que é isso! Preciso expurgar tudo que tenha sua cara. Mas sua cara está em tudo.

De volta a estaca zero. Eu, meu chapéu de bobo e minha cara de idiota.

Anúncios

2 Respostas to “Roda-gigante (Embriagado de amor)”

  1. Dricolina Says:

    Um coracao mauricinho nao se magoa nem sofre.
    Ja o coracao viajante, vulgar, vagabundo… ai, esse quase aaba com a gente. mas hoje ja acho que vale a pena…


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: