O velório da Viúva Negra

13 de agosto de 2010

Ela abriu o chuveiro. Dosando a água fria com a água quente. Queria saber dosar o bem e o mal dentro da sua cabeça. Na verdade, queria deitar numa banheira e ficar relaxando, esquecendo o mundo por pelo menos 3 horas. Esquecer de tudo e de todos. Lava o rosto como se lavasse a alma. As lágrimas salgadas descendo pelo rosto. Se sentia suja, se sentia como se tivesse algo importante ao Diabo. Algo que não poderia recuperar.

Não importava o que ele tinha dito, não importava que ele a amava. Ela só queria ver o circo pegar fogo. Fora criada pra brincar de amor, fazer de todos como um brinquedo. Mas nos últimos anos tinha se tornado frágil. Sensível aos seus próprios jogos.

Aquelas últimas palavras dele chacoalhavam seu coração de pedra, agora já inundado por um mar de hesitação. “Você ainda vai se apaixonar por mim”. Logo ela que nunca soube o que é amor nessas vinte e poucos anos passara 3 horas olhando as prateleiras da Livraria buscando um livro de auto-ajuda. Tinha problemas. E sabia disso.

Ainda lutava contra as torneiras pela temperatura ideal, sempre fora assim fria e calculista. Tudo tinha que estar nos mínimos detalhes. Era perfeccionista, mas preferia a primeira definição. Como uma assassina. Colecionava corações quebrados. E morbidamente, elegia como seus preferidos os que terminaram em suicídio. Era louca.

MAs agora ela chorava, cenas inéditas de Vale A Pena Ver De Novo. Tudo culpa daquele carinha engraçado com cara de guri e gordinho. Logo ele que todos diziam ser uma vítima fácil. As apostas eram quanto tempo ela destruiria a vida amorosa daquele azarado. Mas pelo contrário, o impossível aconteceu. O anti-herói se tornou orgulho de toda uma categoria, nós: homens. Mais uma destruidora de corações estava destruída.

E após aquelas lágrimas no chuveiro viriam outra milhares, família e filhos. Agora ela tinha se tornado uma cidadã de respeito. Fiel e obediente. Até chamou a gente pra um jantar na casa dela, preparou comida mexicana que por sinal, não fez bem ao meus estomago.

[ Eu a chamava de Viúva Negra. A gente se conheceu desde criança. Apresentei o sexo a ela aos 15. Ela partiu meu coração depois de 6 meses. Virou minha amiga no ano seguinte…]

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Uma resposta to “O velório da Viúva Negra”

  1. Dricolina Says:

    Eh… infelizmente essas coisas tambem acontecem…


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