Los Hermanos e Eu.

5 de agosto de 2010

Maldito seja o dia que conheci Los Hermanos. Eu era apenas um garoto de 15 anos com espinhas no rosto e aparelho nos dentes. Mas foi num single na Revista Showbizz que veio com Anna Júlia em 1998. Pronto. Já era. Hipnose compulsória.

Nessa época, eu não tinha música pra rompimentos. Não tinha tido rompimentos. Nem desilusões amorosas. Nem corações partidos. Apenas desvirginava mocinhas inocentes, me dizia cristão e nem sabia rezar.

Então logo resolvi que tinha que procurar uma Anna Júlia pra ser meu amor. Ficar longe de qualquer Bárbara. E inventar uma ex chamada Aline. Mas aí eu encontrei você. Em pouco tempo, vi que realmente alegria era olhar seu sorriso e ter você ao meu lado.

Conheci o verbo Fenecer. Comparei você a todos os meus amores de Primavera. Dos outros carnavais, com as mesmas fantasias. E percebi que Todas as cançoes que eu fiz, fiz pra ti, Princesa. E então pude cantar as músicas sobre ser largado por você. Meu novo objetivo de vida era saber exatamente qual era a dor de ter e perder alguém. Uma lágrima escorrendo pelo peito poderia fazer algum sentido. Todo essa azedume no meu peito.

Então veio o segundo álbum. E meio que pra finalizar o meu primeiro amor. Veio Todo Carnaval Tem seu Fim. Hora de partir pra outra.

Agora a coisa era mais sofisticada. Não era mais amores primaveris. Conquistas agora tinham que ser mais elaboradas. Mesmo assim vi que nem sempre A Flor faz seu efeito. E então como num passe de mágica eu vivi o óbvio utópico, te beijar. Sabia que já era. Assim seria, por um bom tempo.

E então você cantou pra mim, qualquer coisa assim sobre você. Tristeza nunca mais. E eu então era tão Sentimental quanto você. Tínhamos todas as ferramentas pra sermos o casal mais feliz do mundo. Então eu fiz mais uma canção. Como assim? Eu tinha prometido a minha Princesa que todas seriam pra ela.

Nessa hora pesei tudo. O jeito que você queria me guiar. Tomar o meu guidon. E as milhares de vezes que mesmo com você eu me sentia tão sozinho. Pra melhorar nosso relacionamento resolvemos fazer aulas de francês. Inutilmente.

Mas como sempre eu faço uma burrice. Liguei pra Primeira. E ela me disse: “Veja bem, meu bem. Sinto te informar que encontrei alguém pra me confortar”. Fingi na hora rir. Deixa estar. Assim será. Depois disso tudo, vi que não dava mais, Segunda. Dessa vez eu que resolvi dizer. Adeus você!

Hora de recomeçar tudo de novo mais uma vez. Tudo começou quando minha mãe virou pra meu pai e disse: “Mesmo quando ele consegue o que ele quis, Quando tem já não quer
Acha alguma coisa nova na TV. (O que não pode ter). E deixa de gostar Larga mão do que ele já tem Passa então a amar Tudo aquilo que não ganhou”

Chorei. Nunca uma música me definira tão bem. Agora não tinha mais romance. Tinha que mudar de vida mesmo. Ser outro cara. Comecei a ter uma calma impressionante, me exibia pra solidão. Gostava disso. Então, já acostumado a ser sozinho, foi num samba que a conheci. Já não sambo mais em vão. Era uma paixão indescritivel. A maior de todas. Que era percebida pelos outros nos lugares mais insólitos. Como quando eu via jornal na fila do pão. Você me ensinou a ser o Vencedor. Nunca mais tropeçar a cada quarteirão. Agora já tinha alguém pra dividir meu coração exibido.

VocÊ sempre foi um bom motivo pra tudo atrasar. Deixar o verão pra mais tarde. Então era quase uma vida de casado. Você preparando a mesa do jantar. Cachorro, pijamas, café na cama. Até que o cachorro fugiu. Fiz aquele anúncio e ninguém viu Pus em quase todo lugar a foto mais bonita que eu fiz, você olhando pra mim. E nada. Nunca mais. E então o castelo ruiu.

Pensei que poderia ser o primeiro a prever e poder desistir do que for dar errado? Nós dois. Logo, percebi que seu coração não te deixa amar. Eu cansei. Sobrou bem pouco do nosso amor. E não adianta você vir e perguntar onde o barco foi desaguar. Essa conversa não levará a nada. Eu logo disse que queria dançar com outro par pra variar, amor! Só pra variar. Resultado: eu fiquei trancado na rua. Era o fim do nosso amor.

Decidi tirar um tempo pra mim, velejar. Sumir do mapa. Ver o horizonte distante de longe. Seguir. Apontar pra fé e remas. Navegar sem rumo. Sem você. Aos poucos a saudade dela ia passando. Então, um dia pensei. Manda avisar que esse daqui tem muito mais amor a dar. Encontrei a Morena dos meus sonhos. e pra ela eu prometi todo amor do mundo. Sem ninguém pra atrapalhar. Parece que o amor chegou aqui.

Ela era perfeita. Entendia meus problemas. Minhas birras, cismas, imbroglios e quiprocós.

Num dia qualquer eu sonhei com noivas, veus e grinaldas. Passaros tão belos. Era um sonho tão bonito, eu acho. Eu e você à beira mar. O Mar meu velho amigo.

Então numa carta com uma letra familiar eu li: “eu preciso andar um caminho só. vou buscar alguém que eu nem sei quem sou. Eu escrevo e te conto o que eu vi e me mostro de lá pra você. Ps. guarde um sonho bom pra mim”

Pois é. Hoje eu só levo a saudade, Morena, e é tudo que vale a pena.

Então o que eu tinha que fazer? Hein Hein? Voltar pro meu amor verdadeiro. A Segunda. A única que me amou de verdade. A única que me fez dizer: Adeus você.

Resolvi que a música perfeita era Condicional. Pois Quis nunca te perder Tanto que demais
Via em tudo o céu Fiz de tudo o cais. E sempre repeti que era um doce te amar, o amargo era querer-te pra mim.

“Se a gente já não sabe mais rir um do outro meu bem então o que resta é chorar e talvez, se tem que durar, vem renascido o amor bento de lágrimas.”

E então essa é a história entre Los Hermanos e Eu. Minha vida.

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Uma resposta to “Los Hermanos e Eu.”

  1. Thales Says:

    Sem muitas palavras, encontrei o texto sem querer e adorei a forma como foi abordada a vida com canções dos Hermanos. Parabéns!!


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