Eiffel, a “garotinha ruiva”

7 de maio de 2010

Aeroportos sempre são chatos. Horas e horas esperando o vôo. Resolvi comprar um livro. Entre todos fui seduzido por um de tirinhas do Snoopy. Na minha infância sempre gostei do desenho do Charlie Brown que passava na TV. Queria ter a minha própria garotinha ruiva. Na verdade, tive várias. Namoradas “imaginárias”.

quem dera eu a ter beijado

Rio de Janeiro. Cidade maravilhosa, my eggs. Chuva e frio. Só. Sentei e começei a folhear o livreto. Dei algumas risadas. Achei tudo engraçado, imaginando que se lêsse aquilo em casa, daria apenas um sorriso amarelo, sozinho no meio de pessoas estranhas o sorrisinho já virava uma leve risada. Se tivesse com alguém conhecido certamente gargalharia.

Logo, me entendiei com as tiras. Resolvi passear pelo saguão. Apenas com o livreto em minha mão esquerda, sim, sou canhoto. Busquei um cappuccino de caramelo e voltei pro setor de embarque. No caminho avistei-a…

Meus olhos não encontraram os dela, mas pensei: Será? Não pode ser. Voltei pro Charlie e seus amigos. Sempre olhando de soslaio pra ela e todos os seus movimentos. Lia sem nem saber o que tava lendo, acelerei meus movimentos, mechia no cabelo sem parar, ajeitava os óculos, esqueci da porra do café. Esfriou. Ficou ruim. Continuei tomando como se fosse um francês em algum café de Paris com vista pra Torre Eiffel. Mas sim, minha Eiffel estava ali. Toda de preto, ouvindo seu Ipod. Tentei imaginar o que ela ouvia. Talvez uma Carla Bruni, não. Lembrei do Sarkozy e mudei de idéia, por um segundo pensei que ela ouvisse um Rap Americano. Mas também não era, não podia ser. Definitivamente, pelo olhar era uma mulher cantando. Não sou tão fã dessas cantoras novas. Mas senti que estava certo.

Paixão à primeira vista. Primeira vez. Será? Fiquei meio confuso, mas não podia tirar os olhos daquela criatura. Chegava até a ser engraçado. O bom que esse joguinho solitário de platão fazia as horas passarem mais rápidas. As tirinhas já não faziam sentido algum. Minha cabeça não pensava em outra coisa, a não ser um jeito de chegar dizer ‘oi’. Cadê a tal coragem? Lembrei de outro personagem, o Leão do Mágico de Oz. Será que ele também possuia uma ‘leoazinha ruiva’ pela qual era apaixonado e nunca teve coragem de chegar? Será? Drogas, maldita timidez.

Resolvi chamá-la de Eiffel, parece até uma bobagem já que eu sabia o nome dela. Na verdade, já tinha visto algumas vezes lá na nossa cidade (quando eu era pequeno em Barbacena). Ahn? Anula a primeira vista? Por que? Eu que mando! A história é minha e conto do jeito que quero. E quem se apaixonou? Então pronto. Cale-se!

A Eiffel, a garotinha ruiva do momento. Por um instante nossos olhares se cruzaram, ela deu um semi-sorriso. Minha timidez crônica me fez desviar o olhar. Não sabia o que fazer, o que falar. Já conhecia ela dos orkuts da vida, mas será que ela sabia quem eu era. Com certeza não.

VÔO 2145 COM DESTINO A SÃO PAULO EMBARQUE NO PORTÃO 14.

Agora já era, perdi a chance. Vamos pra fila. Joguei o café gelado em uma lixeira, levantei-me devagar pra tentar ficar o mais perto possível dela, na esperança de um ‘olá’.

Pronto, ela ficou logo atrás de mim na fila, era agora a hora de falar, mas ela nem olhou pra mim e nem nada, melhor ficar na minha. Definitivamente não me conhece. Não falarei nada. O que será que ela vai fazer em SP? Assistir ao show que nem eu? Não faz o estilo dela. Acredito que encontrará um namorado, é isso, um namorado. Melhor ficar calado.

Olha, que comissária bonita. Bom dia. Aquele careca é pai de algum amigo, certeza. Que drogas de fila que não anda, assim vou acabar criando coragem e falar com ela. Pega logo esse bilhete. Vamos. Opa, qual o meu lugar? Lá atrás. Ela ficou lá na frente. E nunca mais a verei…Hora de dormir ouvindo Pearl Jam

*dessa vez foi um fato real*

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2 Respostas to “Eiffel, a “garotinha ruiva””

  1. Inez Garcia Says:

    Que bonitiiiiiiinho meldels x)

  2. Anna Lígia Says:

    E o mais engraçado de tudo, é que depois de olhar, de sorrir levemente, de ficar NA TUA FRENTE na fila (sim! te equivocaste), eu até que esperei um OI, já que devido aos orkuts da vida, tu já tinhas me visitado inúmeras vezes. Na playlist tinha Carla Bruni sim, com Those Dancing Days Are Gone. E tinha o rap ameticano também: Jay Z com Alicia Keys com Empire State Of Mind. Mas eu poderia tá ouvindo Lady Gaga (pra animar!), Rachael Yamagata, dentre tantas cantoras que tentaste imaginar.

    Ainda acho que deverias ter ido falar.

    Beijos, Eiffel.


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