Dedicatória

5 de maio de 2010

Estava eu procurando uma passagem no livro do “Pequeno Principe” que tem aqui por casa quando me deparo com uma dedicatória, eu já tinha visto, mas nunca tinha lido. Meu pai deu o livro pra minha mãe no aniversario dela. Ela tinha 21 e ele, 19. Ainda eram um casal, apesar do teor da dedicatória denotar que já houvesse brigas. Ainda bem que eles ficaram ainda um tempo juntos e eu nasci. Depois cara um pro seu lado.

Nunca tinha lido nada escrito pelo meu pai, me surpreendi com o português. E ainda mais vindo de um cara de 19 anos.

Sei que vão brigar comigo, os dois, se lerem. Mas reproduzirei aqui a dedicatória:

Meus parabéns, por tão importante data. Espero que esta pequena lembrança sirva-lhe de porta, para um maior conhecimento sobre o mundo, sobre as crianças. As crianças são as pequenas coisas que um dia fomos, que talvez, por sermos grandes (ADULTOS), esqueçamos de relembrá-los; crescemos, como crescem os animais, mas devemos sempre lembrar-nos que um dia fomos pequenos, fomos o mais alto teor de pureza e ingenuidade, e que é dessas minúsculas coisas que as grandes se formam.

Este livro representa todos os momentos, meus, de reflexão sobre a vida, todos os momentos que passei, em silêncio, ao teu lado.

Este, também, representa minhas mágoas, por esquecer-nos de ser simples como as rosas. Melhor que mágoas, este livro representa todos os meus sorrisos, toda a minha felicidade, talvez quem sabe, eu tenha uma flor em uma estrela qualquer, que fique rindo pra mim; talvez eu tenha também “UM PEQUENO PRINCIPE” como amigo, em algum lugar.

Sou feliz, com meus sonhos, em meu mundo de criança, onde, mesmo daqui a 100 anos, eu não queira sair.

Mas não é pra pensares no que eu escrevi, não é para entenderes o que escrevi, muito menos para você se magoar, embora eu ache que não tenha com que se magoar, pelo contrario, escrevi isto tudo para que entre no meu mundo, no mundo das crianças, sei que és criança, sei que és (parece ser) feliz, mas reflita comigo, venha…

…aqui não há brigas, qualidade ou defeitos, só felicidades *, todos são iguais, venha, iremos cativas amigos, iremos juntos fazer adultos felizes, vivamos a vida, somos livres quando somos iguais aos outros (simples).

Sei que é difícil, mas basta querer, querendo já tornas tudo mais fácil.

Tente…Chegue…

Este livro traduz algumas coisas que sou e explica, tente achar as suas respostas.

E desejo do mais profundo “EU” que os anos que estão por vir sejam melhores que os que já passaram, que encontres a criança que foste um dia e que seja feliz, como as crianças são.

Feliz Aniversário,

George Raposo

22/05/81

Ps. A Felicidade nunca anda sem a tristeza, isto para os adultos. A felicidade anda só para as crianças. Mas sempre têm os adultos para atrapalhar.

*sim, ele também se chama George Raposo*

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2 Respostas to “Dedicatória”

  1. Manuela Says:

    Realmente tu tens a quem puxar. Teu pai definitivamente deve ter emocionado tua mãe, ou pelo menos chegou bem perto. 🙂

  2. Fabiana Bach Says:

    Sempre fico surpresa com a sua sensibilidade, simples e limpa para escrever. O “Pequeno Príncipe”, de S. Exupery, é um livro que deveria ser lido uma vez por ano por todos os maiores de 18 anos. Não por trazer a lembrança de quando se é criança, mas por tratar, em cada capítulo, de SENTIMENTOS ESENCIAIS esquecidos pelo SER-HUMANO. Tenho a certeza, de que se isso acontecesse, a cada nova leitura, a cada nova metáfora, novas transformações seriam possíveis… e que ao invés de fabricar bomboas em seus corações, os seres humanos cultivariam ROSAS.George, desejo de coração, que você continue a plantar flores com suas palavras. Que jamais se afaste de sua ESSENCIA. A gente cresce, é fato. Passa por milhares de coisas. Se espelha em milhares de outras coisas… Mas a opção de FELICIDADE nasce com a gente!… Desejo que cative as pessoas assim como me cativou! E que cuide daquilo que considere ROSAS em seu caminho, sem medo, sem receios e, acima de tudo, sem se espelhar na relação de seus pais… (esse é um dos grandes mistérios! ;-)). Um beijo, com toda a ternura de um sorriso feliz!!! Fabi (cantando o que poucos podem ouvir!)


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