Poesia de cego, surdo e mudo.

11 de julho de 2011

“O teu amor é uma mentira que a minha vaidade quer. E o meu, poesia de cego, você não pode ver”. Confesso que não tenho uma opinião formada sobre o que quer dizer essa frase. Até ontem nunca tinha pensado nela de forma mais filosófica. Muita gente provavelmente dirá que a explicação é simples e refere-se a não sei lá o que, que quer dizer não lá que coisa.

Tudo começou com uma brincadeira. Anna soltou uma frase de alguma música dos Los Hermanos e sem perceber eu criei uma teoria sobre o que o autor quis dizer com aquilo. Ela achou a explicação “bobinha” e desde então joga frases aleatórias de músicas e espera uma história criativa da minha pobre cabeça borbulhante.

Passou a ser um exercício durante nossas longas horas vagas do almoço. Uma forma de começar vários assuntos e descontrair do dia-a-dia estafante da vida real. Ela por muitas vezes me ajudava no “dever de casa” e isso foi fazendo com que a intimidade do começo do relacionamento fosse sendo abrandada. E com gerúndios.

Eu admito que inventei altas histórias malucas sem sentido algum, mas que no fundo em algum tipo de analise terapêutica criada no sudoeste da China eles seguiriam essa versão da história também. Era só uma forma da gente se conhecer melhor. De conversar sobre pinguins, pontos de exclamação e cores do arco-íris.

Mas se o amor é só uma mentira. Por que diabos a minha vaidade vai querê-lo? Eu quero a verdade, toda a sua verdade, doa o que doer. Quero suas crises existenciais e seus defeitos de caráter. Mostro minha vaidade exacerbada. “Eu te amo e vou gritar pra todo mundo ouvir”.

Perco-me com as palavras e essas são as poucas horas em que me deixo chamar atenção do mundo todo. Viro um cantor de brega com uma voz embriagada subindo no palco no casamento de algum amigo.

Infelizmente o meu amor é realmente poesia de cego, surdo e mudo. Não sei expressar assim, nem gritar, nem desenhar, nem qualquer outro jeito. Você não pode ver. Mas se você deixar eu tento te mostrar, deve haver um modo. A gente dá um jeito.

 

[Sei que demorei a escrever, mas é que estou de férias aqui na casa da minha mãe. Obrigado pela compreensão. Voltaremos com nossa programação normal semana que vem. Abraço! ]

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2 Respostas to “Poesia de cego, surdo e mudo.”

  1. Renato Says:

    Meu caro George,

    quem lhe escreve “do lado de cá” é Renato, que fez o curso de crônicas contigo. Te escrevo por duas razões: a primeira é dizer que leio sempre seus textos (me cadastrei pra receber por e-mail). A segunda é te passar uma dica, caso não tenha visto ainda. http://www.concursoliterarioajl.com.br
    Eu me inscrevi!

    Um grande abraço,

    Renato

    • George GD Says:

      Valeu, Renato.
      Bom saber que acompanhas o blog. Muito obrigado mesmo pela dica. Escrevi uma crônica por lá. Quem sabe eu não ganho alguma coisa. Obrigado mesmo.


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